Personalidades inseridas no MAGA de Donald Trump

Presidente Donald Trump com repórteres, Elon Musk e X Æ A-Xii, filho de Musk, no Salão Oval da Casa Branca, em 11 fev. 2025 (Crédito: Foto oficial da Casa Branca/Daniel Torok)
Por Andy Mickelly Canovas Lima* [Informe OPEU] [Trump 2.0]
Durante as eleições de 2024 nos Estados Unidos, os eleitores se viram divididos entre a democrata Kamala Harris e o republicano Donald Trump e, no mundo das celebridades e personalidades da mídia, não foi diferente. Com isso, fizemos um levantamento de quais figuras públicas declararam seu apoio à eleição de Donald Trump.
Elon Musk
Não é segredo para ninguém que o empresário, agora chefe do Departamento de Eficiência Governamental dos EUA, sempre declarou seu apoio ao presidente eleito. Ambas as figuras são conhecidas por sua retórica provocativa e pelo uso estratégico das redes sociais para influenciar narrativas e mobilizar seguidores. E, por estar à frente da Tesla, do X e da SpaceX, Musk tem meios para espalhar suas crenças, as quais, em sua maioria, também são compartilhadas por Donald Trump.
Desde que assumiu o controle da plataforma X, o bilionário tem-se apresentado como um apoiador da liberdade de expressão (ou daquilo que ele assim define como tal), um princípio que frequentemente coincide com as críticas de Trump às chamadas Big Techs e suas diretrizes de moderação de conteúdo, como políticas de combate às fake news e à desinformação. O presidente eleito, que foi suspenso temporariamente do ainda Twitter em 2021, tem tirado proveito da gestão de Musk na rede social, que desencadeou uma flexibilização das regras de moderação e autorizou o retorno de diversas figuras controversas, incluindo o próprio republicano.
Kanye ‘Ye’ West
A relação entre Donald Trump e Kanye West foi marcada por momentos de proximidade e de tensão, refletindo tanto interesses políticos quanto estratégias de imagem. Em 2016, West manifestou apoio a Trump, destacando sua admiração pelo posicionamento antissistema do republicano e promovendo a simbologia da campanha Make America Great Again (MAGA, na sigla em inglês). Em 2018, o rapper se reuniu com Trump na Casa Branca, reforçando seu alinhamento ideológico e discutindo propostas de reforma política. Em 2020, ao lançar sua própria candidatura presidencial, West passou a ser visto como uma possível ferramenta para fragmentar o eleitorado democrata, especialmente entre a população negra, com indícios de apoio indireto de aliados republicanos. O afastamento entre ambos se consolidou em 2022, quando Kanye, em um jantar polêmico em Mar-a-Lago ao lado do supremacista branco Nick Fuentes, afirmou que Trump reagiu negativamente à sugestão de ser seu vice em uma nova candidatura.
Em um vídeo gravado por um paparazzo, Kanye West reafirmou seu apoio a Trump em 2025, repetindo seu voto no republicano. Assim, a relação entre os dois oscilou entre cooperação e conflito, evidenciando a interseção entre entretenimento, política e estratégias de mobilização eleitoral nos Estados Unidos.
(Arquivo) Trump e Kanye West (Crédito: captura de tela de vídeo do Jornal The New York Times)
Fórmula 1 – McLaren
Em 5 de maio de 2024, Donald Trump apareceu no paddock do Grande Prêmio de Fórmula 1 de Miami ao lado de Mohammed ben Sulayem, presidente da Federação Internacional do Automobilismo (FIA), e dos CEOs Stefano Domenicali, da Fórmula 1, e Greg Maffei, na época na Liberty Media, detentora dos direitos de transmissão da categoria. Trump esteve presente nos boxes da McLaren, e o piloto da equipe, Lando Norris, vencedor da corrida em questão, gostou da visita do então candidato à Presidência dos EUA:
“Não o vi na garagem, para ser sincero. Eu estava ocupado me preparando para a corrida. Mas ele me viu depois e veio me dar os parabéns. Foi uma honra, porque sempre que você tem alguém assim, tem que ser uma honra ele vir até você, tirar um tempo da vida dele, prestar respeito pelo que você fez. Para qualquer pessoa assim, que reconhece o que você faz e reconhece a ética de trabalho que envolve as coisas, você tem que ser grato por isso. Foi um momento legal.”
Mais tarde, Trump fez um post em sua conta do Instagram sobre sua visita à escuderia inglesa. Mas, após desencadear debates nas redes sociais sobre por que a Fórmula 1 e a equipe deram ao político uma plataforma de mídia internacional, a McLaren divulgou um comunicado:
“A McLaren é uma organização apolítica. No entanto, reconhecemos e respeitamos o cargo de Presidente dos Estados Unidos. Então, quando foi feito o pedido para visitar nossa garagem no dia da corrida, aceitamos, junto com o presidente da FIA e os CEOs da Liberty Media e da Fórmula 1. Ficamos honrados com a escolha da McLaren Racing como representante da F1, o que nos deu a oportunidade de mostrar a engenharia de classe mundial que trazemos para o automobilismo.”
Vale ressaltar que, desde 2023, a FIA proibiu os pilotos de fazerem manifestações políticas, religiosas e pessoais no pódio, sem prévia autorização. A regra foi uma resposta ao piloto Lewis Hamilton, em setembro de 2022, que usou no pódio uma camisa pedindo a prisão dos policiais que mataram a tiros a mulher negra Breonna Taylor, no estado do Michigan, nos EUA, após oficiais entrarem na casa dela buscando seu ex-namorado. Depois desse protesto, seguiram-se várias manifestações políticas e sociais sobre vários assuntos, por parte dos pilotos Hamilton e Sebastian Vettel (no caso de Vettel, ambientais também). O que dá a entender que a Federação preza por uma visibilidade para o automobilismo com um contexto de maior circulação de ideias, desde que sejam compatíveis com a elite que coordena a categoria.
Kim Kardashian
Kardashian nunca falou publicamente sobre quem ela apoiou na eleição presidencial de 2024. No entanto, acredita-se que a socialite tenha votado no republicano, já que ela se alinhou com o apoiador de Trump e chefe do Departamento de Eficiência Governamental, Elon Musk, e tem uma amizade próxima com Ivanka, uma das duas filhas de Trump.
Reforça-se, ainda, que Kim postou em seus stories no Instagram uma imagem de Melania Trump chegando para a cerimônia de posse de Donald Trump como presidente. O post não tem legenda, mas, aparentemente, ela estava elogiando o vestuário da primeira-dama dos Estados Unidos.
Lembro também da remoção do canal do YouTube de seu filho Saint West, feita por Kim Kardashian, após a divulgação de vídeos de West criticando a vice-presidente Kamala Harris. O episódio nos sugere uma estratégia calculada no uso das redes sociais para gerenciar sua imagem pública e evitar interpretações políticas indesejadas. Considerando-se a influência midiática de Kardashian e seu histórico de engajamento seletivo em pautas políticas, a decisão pode ser interpretada não como uma negação explícita de apoio a Donald Trump, mas como uma tentativa de manter uma posição ambígua. Com isso, evita atritos diretos, enquanto preserva seu capital social entre diferentes segmentos do público e junto às diferentes marcas que a patrocinam.
50 Cent
Após a reeleição de Donald Trump em novembro de 2024, 50 Cent compartilhou uma postagem enigmática em sua conta no Instagram. Acompanhada de fotos com Trump, a legenda dizia: “Não me importo com o resultado da luta, vou sair com a merd* do vencedor”. Ele continuou: “Ainda não sei o que está acontecendo… Parabéns!”.
Essa publicação gerou discussões nas redes sociais, especialmente porque, anteriormente, 50 Cent havia recusado um convite para se apresentar em um comício de Trump em Nova York. Na ocasião, expressou receio de se envolver em política, devido às divergências que isso poderia causar.
No fim de 2019, porém, 50 Cent expressou publicamente seu apoio a Donald Trump nas redes sociais, criticando o plano tributário proposto pelo então candidato democrata Joe Biden. Em uma postagem, ele afirmou: “Eu não me importo se Trump não gosta de pessoas pretas. Sessenta e dois por cento de vocês estão malucos”, referindo-se à taxa de imposto sugerida. Em outra ocasião, escreveu: “Mas que merd*. Vote em Trump”.
* Andy Mickelly Canovas Lima é graduanda do sétimo semestre do curso de Relações Internacionais da Universidade Anhembi Morumbi e aluna participante do projeto de extensão da referida instituição em parceria com o OPEU. Contato: andy.mickelly@gmail.com.
** Revisão e edição finais: Tatiana Teixeira. Recebido em 17 mar. 2025. Este Informe não reflete, necessariamente, a opinião do OPEU, ou do INCT-INEU. Incluir revisão da simone
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